01/07/2018

30. Drunk



O que Demi mais gostava no centro da cidade era a arquitetura dos mais variados prédios, casas, praças e estabelecimentos. Ela gostava de observar tudo detalhadamente e a decoração era o que mais lhe encantava, tinha certeza que havia escolhido a profissão certa para exercer. Em alguns finais de semana, Demi gostava de pegar a filha e ir para o centro da cidade visitar alguns pontos turísticos e tomar café nas cafeterias deliciosas que ficavam localizadas no centro. Alana estava sentada ao lado da mãe e saboreava um grande pedaço de bolo de chocolate enquanto observava pela janela algumas pessoas correrem e andarem de bicicleta na rua. — Mãe, quando eu terminar eu posso pedir um pedaço daquela torta de morango? — Demi desviou o olhar do notebook e encarou a filha, a garotinha estava com a boca toda suja de chocolate e fazia sua melhor carinha de cachorrinho que caiu da mudança. Demi riu e entregou um guardanapo para ela.

— Você ainda nem terminou de comer esse bolo. — Comentou mais focada em digitar o seu projeto da faculdade no notebook. Ela bebericou brevemente o seu copo de café e encarou a filha brevemente. — Se você conseguir comer esse pedaço de bolo eu posso pedir um pedaço da torta de morango para levarmos para casa, ok? — Alana assentiu sorridente e limpou a boca com o guardanapo.

— Nós poderíamos levar um pedaço de bolo para o Batman e para o meu pai também, ele prometeu que amanhã nós vamos passear no parque, nós três e o Batman também. — Demi comprimiu os lábios em uma linha reta e encarou a filha. Eles não eram uma família e Joseph não deveria ficar prometendo esses passeios em família para Alana.

— Cachorros não comem bolo, querida. — Disse e olhou a hora no canto da tela do computador. Era incrível como no final de semana a hora passava tão rápido, já eram quatro e meia da tarde e ela precisava voltar para casa para começar a se arrumar para o jantar com Wilmer. Só de pensar nele o coração batia acelerado no peito e a mente ficava uma confusão porque uma vozinha falava para ela ficar com ele e que ele não iria magoa-la, mas a outra vozinha dizia para ela se entregar para Joseph. Era como o anjinho e o diabinho.

— Por que? Bolo é tão bom. — A pequena falou pensativa e depois deu os ombros. — Ontem a professora falou que eu estou aprendendo a ler muito rápido, isso não é muito legal? — Disse com um sorriso animado após beber um pouco do suco de morango no canudo. Era incrível a facilidade que Alana tinha de mudar um assunto para outro totalmente diferente. — Eu acho que mereço um presente por isso. — Demi conhecia muito bem aquela carinha pidona, ela arqueou a sobrancelha e sorriu de lado. — Uma Barbie médica seria um ótimo presente. — Como era possível uma criança ser tão fofa e meiga como Alana? Demi mandou um beijo para a filha e sorriu quando a pequena lhe imitou, ela amava tanto aquela garotinha que o peito queria explodir de tanto amor por um serzinho tão pequeno.

— Você sabe que presentes é só em ocasiões especiais, não sabe? — Era quase uma regra. Demi era rígida com a educação da filha e sempre explicava para a garota que ela precisava fazer por merecer para ganhar presentes. As coisas levavam tempo e presentes eram apenas em ocasiões especiais como aniversário.

— E por acaso isso não é especial? Mamãe, eu estou aprendendo a ler. — Alana era uma criança meiga e fofa, mas quando queria tinha uma resposta na ponta da língua. — Meu pai vai ficar muito feliz com a novidade, eu tenho certeza que ele vai me dar um presente.

— Qualquer coisa que você pedir ele vai te dar. — Revirou os olhos porque era o que realmente acontecia. Tudo o que Alana pedia para o pai ele dava sem pensar duas vezes e isso irritava Demi profundamente. — Hoje a noite você vai ficar com a Kim, tudo bem? — Perguntou focada em salvar o arquivo em seu computador porque a hora estava passando e ela precisa se apressar se não iria acabar se atrasando.

— E a nossa festa do pijama?

— Só amanhã, bebê. — Sorriu e quando salvou o arquivo, fechou o notebook. — Vamos para casa? Eu preciso me arrumar e você tem que organizar os seus brinquedos que ficou espalhado pelo quarto. — Disse se levantando, Alana fez careta e bebeu o último gole do suco. Ela pegou a sua boneca de pano e segurou a mão da mãe enquanto iam até o caixa para pagar pelo o que comeram. — Eu vou levar um pedaço da torta de morango. — Demi falou para a atendente que assentiu prontamente e saiu para preparar o pedaço.

— Mãe, meu pai vai vir me ver hoje? — Alana perguntou sorridente enquanto tentava se equilibrar na quina da calçada. Elas já estavam caminhando em direção do local aonde o carro estava estacionado. — Ele prometeu que ia assistir o filme da Barbie e o Castelo de Diamante comigo. — Ter uma criança em casa era isso: passar o dia assistindo filme da Barbie e das princesas da Disney.

— Alana você vai cair. — Crianças podiam ser teimosas quando queriam. Se equilibrar na quina da calçada não era uma boa ideia e Demi já estava prevendo que a filha ia cair e se machucar. — Eu não sei se o seu pai vem hoje, você pode ligar para ele quando chegarmos em casa.

— Eu acho que é uma boa... — Alana não conseguiu terminar a frase porque acabou se desequilibrando e caindo de joelhos. Demi respirou fundo e ajudou a pequena a se levantar, Alana começou a chorar e reclamar do joelho que havia ralado e estava sangrando.

— Se você me escutasse isso não teria acontecido. — O alarme do carro foi desativado, Demi abriu a porta e ajudou a filha a sentar no banco de trás. Ela deu a volta, sentou no banco do motorista e colocou a sacola com a torta de morango no banco do passageiro.

— Está doendo. — Entre um soluço ou outro Alana disse e limpou as lágrimas com as mãos. Demi colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e virou-se para ver o machucado da filha, o pior era que ela não tinha nenhum paninho no carro para limpar o machucado.

— Quando chegarmos em casa você toma banho e eu coloco um curativo, não machucou muito. — Não havia sido nada grave, apenas um arranhão. Ela se acomodou melhor no carro e deu partida, o centro de Los Angeles não era muito longe da sua casa, era cerca de quinze minutos e o trânsito colaborou para que ela não demorasse. Será que Demi era tão dramática quanto Alana? Para descer do carro foi uma luta que só e a garotinha fez com que a mãe a carregasse até o elevador. E para tomar banho? Demi já estava começando a ficar estressada.

— Eu não quero tomar banho, vai doer. — Alana tentava de todas as formas convencer Demi, a menina já estava no banheiro pronta para tomar banho, mas não queria entrar no box de jeito nenhum.

— Você precisa lavar para não infeccionar, você quer que fique pior? — Demi perguntou já sem paciência. Ela ligou o chuveiro e abriu o box. — Alana, entra no chuveiro agora. — Chorando, Alana adentrou no box do chuveiro e chorou ainda mais quando a água quente entrou em contato com o ferimento do joelho.

— Está doendo e a culpa é toda sua, sua chata. — Disse emburrada e soluçando. A garotinha era uma atriz merecedora de Oscar. Demi mostrou a língua quando a garotinha lhe mostrou a língua e fez careta. — Eu nunca mais vou tomar banho. — Alana falou enquanto a mãe lavava seus cabelos, ela tentava a todo custo deixar o joelho fora de contato com a água quente. — E eu vou contar tudo para o meu pai.

— Tá bom, sua porquinha. Eu vou separar uma roupa para você. — Demi saiu do banheiro e foi até o quarto da filha, ela separou uma calça de moletom e uma blusa de manga comprida e foi até seu quarto buscar o pequeno kit de primeiros socorros. Quando voltou para o banheiro, ajudou Alana a terminar de tomar banho e a enrolou em uma toalha, levando-a para o quarto.

— Vai com cuidado, mãe. — Pediu quando Demi cuidadosamente começou a secar o ferimento no joelho. Após higienizar o local, Demi fez um curativo e ajudou a garotinha a vestir a roupa. — Eu vou assistir desenho enquanto meu pai não chega. — Alana saltou da cama e saiu correndo pelo corredor como se nada tivesse acontecido. Demi balançou a cabeça e arrumou a pequena bagunça que havia feito no quarto.

Joseph não esperava encontrar Blake no estacionamento do seu condomínio. Ela havia acabado de sair do seu carro e ele estava caminhando em direção a sua moto, havia prometido para Alana que passaria a tarde assistindo filmes da Barbie e comendo besteira com a garotinha. Ele sorriu para Blake e a cumprimentou com um beijo na bochecha. — Eu tenho um convite para te fazer e não aceito um não como resposta. — Blake falou sorridente. Joe arqueou uma das sobrancelhas e sorriu. — Quero te convidar para ir a um pub comigo essa noite, vou encontrar alguns velhos amigos e quero muito que você vá.

— Blake, eu estou indo ver a minha filha, não sei que horas eu vou chegar. Eu prometi que ia assistir vários filmes da Barbie com ela. — Sorriu porque só de pensar em ficar deitado com a filha assistindo era motivo de felicidade para ele, mesmo que fosse filmes da Barbie. Mas aquele não era o único motivo pelo qual não queria ir, Joseph era esperto e já tinha percebido que Blake estava afim dele e sabia também que Demi tinha ciúmes dela, ele não queria que nada atrapalhasse uma possível reconciliação entre ele e Demi.

— Você pode assistir filmes da Barbie com a sua filha e depois que sair de lá ir me encontrar, o que acha? Somos amigos e não tem nada demais em sair para beber um pouco e se divertir, não é um encontro ou nada do tipo. Por favor, o que eu tenho que fazer para você ir? — Perguntou segurando a alça da bolsa preta. Joseph riu e assentiu com a cabeça, ele poderia ir fazer companhia para ela, beber uma cerveja e depois voltar para casa. Nada demais.

— Tudo bem, Blake. Eu encontro você lá pode ser?

— Sim, muito obrigada. Vai ser muito divertido, você não vai se arrepender. — Ela sorriu e beijou a bochecha dele. Joseph colocou o capacete da moto e subiu dando partida logo em seguida. No meio do caminho ele passou em uma loja de doces para comprar algumas besteiras e não demorou muito para que ele chegasse até o condomínio em que Demi morava.

O porteiro liberou sua entrada e ele caminhou distraidamente até o elevador, estava tão distraído que quase não percebeu quando uma senhora o chamou para ajudá-la a colocar as compras no elevador. Ele fez todo o trabalho e sorriu quando a senhora simpática lhe agradeceu. — Ah muito obrigada, querido. — Ela sorriu e encarou Joseph. — Eu vejo você bastante por aqui. — Helena comentou mirando Joseph de cima a baixo. — Alana me falou que você é o pai dela, o que aconteceu entre você e Demi? É porque Demetria mora aqui há tantos anos e eu nunca vi você por aqui antes, você é mesmo o pai de Alana? — O que era aquele tanto de perguntas? Como uma senhora com um rosto tão meigo podia ser tão curiosa?

— É uma longa história, senhora. — Disse educadamente. — Mas eu sou sim o pai de Alana, eu e Demi nos envolvemos quando éramos mais novos e ela acabou engravidando, perdemos o contato e só os reencontramos há pouco tempo. — Explicou por cima para não entrar em detalhes, o que havia acontecido não era da conta de ninguém.

— Ah entendi, mas vocês estão juntos? — Perguntou curiosa, mas não deu tempo para que Joseph respondesse a pergunta porque as portas do elevador se abriram no andar em que Helena morava. A filha da senhora já estava esperando por ela na porta do elevador e a ajudou com as compras. Helena se despediu de Joe com um aceno e as portas do elevador se fecharam novamente.

A felicidade sempre o acompanhava quando Joseph tocava a campainha daquele apartamento. A ansiedade de ver a filha e a mulher que ele tanto amava sempre tomava conta de si. Ele esperou ansiosamente e quando a porta foi aberta perdeu o fôlego. Como uma mulher podia ser tão bonita como Demi? O vestido preto moldava todas as curvas magníficas que ela possuía e a maquiagem realçava ainda mais a beleza dela. Demi era capaz de deixar qualquer pessoa sem fôlego. — Você é a mulher mais linda que eu já vi em toda a minha vida. — Joe disse sorrindo porque ele era um filho da mãe sortudo por ter uma mulher daquela em sua vida. As bochechas de Demi coraram e ela só não mordeu o lábio inferior por causa do batom vermelho.

— Para com isso, Joseph. — Pediu envergonhada quando ele a puxou delicadamente pela cintura e a beijou no pescoço. Ela gostava da sensação que Joseph lhe causava toda vez que seus lábios estavam selados em sua pele.

— Você é linda, Demi. — Ele sorriu contra o pescoço dela e deu um selinho atrás da orelha dela quando Demi o abraçou pelo pescoço acariciando os cabelos da sua nuca com a ponta das unhas. — Eu trouxe chocolate para você. — Disse um tempinho depois. Demi sorriu e se afastou dando espaço para ele adentrar no apartamento.

— Como você está, linda? — Perguntou enquanto caminhava até a sala. Batman estava deitado no tapete da sala e assim que o viu levantou abanando o rabinho e latiu o olhando. — Oi garotão. — Sorriu animado e colocou as sacolas com os doces em cima do balcão, ele deu dois tapinhas em sua perna chamando Batman para perto e gargalhou feliz quando o cachorrinho pulou em sua perna latindo animadamente. O cachorrinho estava crescendo e ficando cada dia mais esperto. Demi estava sentada no braço do sofá e observava tudo com um sorriso no rosto, ela imaginava como seria ver aquela cena todos os dias, estava tão concentrada em Joseph que a pergunta dele ficou sem resposta. — Ele está ficando cada dia mais esperto.

— Esperto e traquina. — Respondeu pensando na bagunça diária que o cachorrinho fazia no apartamento. O cãozinho era pego no flagra constantemente mastigando chinelos, arranhando o pé do sofá de Demi e Alana estava sempre tentando acobertar a bagunça que o cachorro fazia.

— Aonde está Alana? — Perguntou estranhando o fato da filha não estar na sala. Demi franziu o cenho confusa porque até minutos atrás a garotinha estava deitada assistindo desenho na sala, quando ouviu o barulho de algo caindo no andar de cima, ela soube que Alana estava aprontando.

— Alana? — Demi gritou pela filha e subiu as escadas rapidamente com Joseph logo atrás dela. Quando eles adentraram no quarto, Joe teve que prender o riso para não gargalhar ao ver o rosto da filha. Alana estava com a boca toda borrada de batom vermelho, o blush nas bochechas da garotinha estava muito forte, a sombra azul nos olhos também e o pó de Demi estava quebrado em pedacinhos no chão. — O que diabos você está fazendo, Alana? — Perguntou irritada. — Quem deu permissão para você mexer nas minhas coisas?

— Eu só estava tentando ficar bonita para o meu pai. — Alana falou cabisbaixa porque sabia que a mãe iria brigar. Demi fechou os olhos e respirou fundo para não surtar, Alana era uma ótima criança, mas tinha os dias que ela acordava tão teimosa que ficava difícil lidar com ela.

— Alana vai para o banheiro lavar o seu rosto antes que eu te coloque de castigo. — Será que era TPM? Joseph se perguntou, Demi se estressava tão fácil que era até engraçado. Alana passou pela mãe correndo e pulou nos braços do pai dando um beijo na bochecha dele deixando a marca do batom vermelho.

— Você não precisa de maquiagem para ficar linda, princesa. — Sorriu e beijou a testa da filha carinhosamente, ele caminhou com ela até o banheiro e ajudou a garotinha a tirar toda a maquiagem do rosto, quando eles voltaram para o quarto Demi estava terminando de arrumar as maquiagens que estavam bagunçadas. — Querida, vai colocar o filme da Barbie para nós assistirmos enquanto eu ajudo a sua mãe a arrumar essa bagunça. — Alana assentiu prontamente e desceu as escadas correndo. — Não precisa ficar irritada por causa disso, Demi.

— Você não tem o direito de me dizer como eu devo ficar, Joseph. — Respondeu caminhando até o closet com a nécessaire de maquiagem em mãos, ela ficou na ponta dos pés para guardar as maquiagens em um lugar alto o suficiente para que Alana não alcançasse e Joseph não deixou de observar o bumbum avantajado e as coxas grossas quando o vestido subiu um pouco. — Ela está assim por sua culpa, porque você faz tudo o que ela quer.

— Eu não vou entrar nisso porque eu sei que vamos acabar brigando. — Era sempre assim que a briga entre eles começava. — Ela é uma criança, toda criança na idade dela apronta, é só uma fase. — Disse se aproximando cuidadosamente, ele a puxou pela cintura e sorriu daquele modo sedutor que era capaz de deixar qualquer mulher de calcinha molhada. — Você fica tão fofa quando está irritada. — Demi revirou os olhos e umedeceu os lábios o deixando dar um beijinho em seu ombro.

— Eu estou irritada com você porque você faz tudo o que Alana quer, ela está ficando mimada e teimosa. — Morder o lábio inferior foi inevitável quando as mãos de Joseph desceram para o seu bumbum, ela o abraçou pela cintura e levantou a cabeça para olha-lo nos olhos.

— Prometo que vou tentar mudar isso. — Ele não fazia aquilo para deixar Alana rebelde ou qualquer coisa do tipo, era porque se sentia na obrigação de dar tudo o que ele não pode dar quando ela era um bebê. — Eu não faço isso para te irritar, linda. — Era incrível como Demi cedia fácil a ele. Ela deixou que ele lhe desse um selinho demorado e se afastou.

— Pai, eu não acredito que você trouxe pipoca colorida. — Alana adentrou no quarto e Demi empurrou Joseph pelo peito porque os braços dele ainda estavam em volta da sua cintura e as mãos dele ainda apertavam seu bumbum. Demi encarou a filha e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha, será que Alana havia visto alguma coisa? — Você vem assistir o filme, papai? Já vai começar. — Perguntou com um sorrisinho nos lábios. Joseph encarou Demi e depois assentiu segurando a mão da filha.

Joseph desceu com Alana para assistir o filme e Demi ficou no quarto para terminar de se arrumar. Quando ela desceu as escadas sorriu porque era lindo ver Joseph deitado em seu sofá com Alana em seu peito, ele acariciava os cabelos loiros da garotinha. Alana prestava atenção no filme e com Joseph não era diferente, ele realmente estava interessado. Demi sentou próximo a eles e pegou um tablete de chocolate.

LOS ANGELES, HOTEL.


Los Angeles era uma cidade incrivelmente linda. Clarice não tinha palavras para descrever o quanto estava encantada pela aquela cidade, havia chegado de manhã, mas no caminho para o hotel eles passaram pela praia e foi tudo muito incrível. Aquelas férias estavam sendo merecidas, mas ela não via a hora de abraçar sua filha e pedir desculpa por tudo o que havia feito, por todas as decisões erradas que haviam tomado. George saiu do banheiro vestido em uma calça jeans e uma camisa polo preta. — Já está pronta, querida? — Perguntou se sentando na cama para calçar o tênis. Clarice assentiu e suspirou, ela não conseguia esconder o nervosismo. — Eu ainda acho que deveríamos avisar antes de irmos, não quero que você se decepcione quando chegar lá.

— Não me faça ficar ainda mais nervosa, George. — Reclamou passando uma das mãos pelos longos cabelos pretos. — Tudo o que eu mais quero é resolver toda essa situação entre nós, somos uma família e temos que ficar unidos, Demi é a nossa única filha e eu não quero mais ficar longe dela.

— Se Demetria não fosse tão orgulhosa isso não estaria acontecendo, tudo o que ela precisa entender é que tudo o que nós fizemos foi para o bem dela e ela não seria metade do que é hoje se não fosse a gente. Ela aprendeu a ser independente e forte por nossa causa. — George disse enquanto penteava os cabelos pouco grisalhos em frente ao espelho.

— George, você me promete que não vai ser ignorante? Eu quero muito que Demi nos perdoe e que sejamos uma família feliz novamente, eu quero fazer parte do crescimento da nossa netinha, isso é muito importante para mim e eu não quero que você estrague tudo com o que você idealizou na sua mente sobre a Demi ser uma médica e tudo mais, isso é passado e passado fica no passado, entendido?

— Eu não vou ser ignorante ou rude, querida. Eu também sinto falta da nossa filha e me sinto velho toda vez que vejo foto da nossa netinha e como ela cresceu, Demi é minha filha, minha única filha e eu a amo, tudo o que fiz foi pelo bem dela e quero que tudo fique bem entre nós. — Clarice sorriu feliz pela resposta positiva do marido e o abraçou pela cintura, ele acariciou o cabelo da amada e selou seus lábios em um selinho. — Podemos ir? — Perguntou colocando a carteira no bolso traseiro da calça jeans. Clarice pegou as duas caixas de presente que ela havia comprado para Demi e para a neta e assentiu com a cabeça.

O hotel em que eles estavam hospedados ficava no centro de Los Angeles. Eles passaram pela calçada da fama e naquela região o trânsito estava um caos, havia muito turistas que procuravam o nome dos seus artistas favoritos, conseguir o endereço do local aonde Demi morava não foi difícil, bastou entrar em contato com os pais de George. Quando chegaram ao condomínio em que Demi morava, eles tiveram que se identificar, explicaram a situação para o porteiro e ele permitiu a entrada dos dois no prédio.

Quando apertou a campainha o coração bateu acelerado no peito e George entrelaçou suas mãos sorrindo para tentar acalma-la. Foi impossível não sorrir ao escutar as gargalhadas altas da neta que vinha do apartamento, ela parecia estar feliz e isso era reconfortante. A porta foi destrancada e quando aberta Clarice sorriu ao se deparar com Demi, ela estava tão bonita.

— Mãe? Pai? — Demi perguntou com os olhos arregalados sem acreditar que estava vendo seus pais bem na sua frente. — O que... o que vocês estão fazendo aqui? — Ela estava sonhando só podia ser. Aquele não era um bom momento, na verdade era um péssimo momento.

— Nós viemos te visitar, filha. — Clarice disse sorridente. Ela deu um passo para se aproximar da filha. — Sei que você não esperava por isso, deve ter sido uma grande surpresa, mas nós queremos conversar e esclarecer tudo, nós somos uma família e não é certo existir esse espaço entre nós.

— Eu sinto muito se te magoamos, mas nós só queríamos o melhor para você, eu queria que você se tornasse uma mulher forte e independente, sei que o meu jeito de demonstrar isso não foi o melhor e eu sinto muito por isso. — George disse olhando nos olhos castanhos da filha. Demi encarava os pais sem saber o que dizer.

— Eu... — Quando Demi abriu a boca para dizer algo a porta foi aberta por Alana e ela abraçou as pernas da mãe enquanto gargalhava alto.

— Mamãe, me ajuda o papai quer me pegar. — Disse entre a gargalhada gostosa, as bochechas estavam rosadas de tanto correr e dar risada. Ela e Joe estavam brincando de fazer cócegas. Demi viu as feições confusas do pai e quando Joseph apareceu no campo de visão deles, ela sentiu que a confusão estava realmente armada.

— Joseph Jonas? O que diabos você está fazendo aqui? — George perguntou sem desviar o olhar dele. Joseph o encarou da mesma forma e abraçou Alana pelos ombros quando a garotinha lhe abraçou a perna olhando confusa para eles. — O que esse moleque está fazendo aqui, Demetria? — Cobriu uma explicação.

— Alana, sobe para o seu quarto. — Joe disse sério porque ele não queria que a filha presenciasse aquele momento. Alana assentiu e subiu as escadas correndo. Joseph se aproximou ficando ao lado da Demi e encarou George e Clarice.

— Você se esqueceu da surra que levou anos atrás, seu moleque? Eu não acredito que depois de tudo você teve a cara de pau de aparecer novamente. Eu te disse para ficar longe da minha filha, eu conheço muito bem o seu tipo, você vem de uma família destruída e não vai acrescentar nada na vida da minha filha, você estragou a vida dela anos atrás e eu não vou deixar você fazer isso novamente.

— Quem estragou a vida da Demi foi vocês mesmo. Vocês estragaram a vida dela quando a expulsaram de casa, que tipo de pai você é, George Lovato? Você expulsou a sua única filha de casa quando ela mais precisava de você, quando a sua única filha mais precisou de você a única coisa que você fez foi virar as costas e a deixar sozinha.

— Cala a sua boca, seu desgraçado. — George elevou o tom de voz e deu um passo em direção a Joseph se desvencilhando do toque da esposa que pedia para ele se acalmar. — Você usou a minha filha da pior forma possível. Você não é muito diferente do seu pai e por isso eu nunca vou permitir que vocês fiquem juntos, você é um vagabundo imprestável e eu não vou permitir que você estrague a vida da minha filha outra vez.

— George, por favor. — Clarisse disse tocando o ombro do marido tentando fazer com que ele se acalmasse. Ela sabia que o marido tinha o gênio forte e ela não queria que acontecesse uma briga. Não era para isso que eles estavam lá

— Eu estou sendo para a minha filha o pai que você não foi para a sua. — O soco foi certeiro bem no maxilar de Joseph, ele cambaleou para trás porque o pegou totalmente desprevenido. Demi gritou assustada e sentiu as lágrimas descerem pelas bochechas. Aquela situação lhe deixava totalmente sem ação, eram seus pais e o homem que ela amava, aquilo não era certo. — Vai me bater porque você não aguenta ouvir a verdade, George? Não aguenta ouvir que você foi um pai de merda para a sua única filha? Você se orgulha de abandonar Demi quando ela mais precisou de você? Você se orgulha por deixá-la sozinha e afastá-la de mim quando ela mais precisava de alguém ao lado dela? Por sua culpa eu fiquei anos longe da minha filha, por sua culpa a minha filha viveu cinco anos longe do pai. Você é um ser humano desprezível e tudo de ruim que aconteceu na vida da Demi é culpa sua, apenas sua. — Quando George se preparou para dar outro soco em Joseph, Demi se colocou na frente de Joe e George abaixou a mão.

— Por favor, parem. — Demi pediu entre as lágrimas. — Você não pode vir na minha casa e armar toda essa confusão, isso não é certo. Eu não sou mais aquela garotinha, eu sou uma mulher adulta e você tem que respeitar as minhas decisões. Joseph é o pai da minha filha e eu não vou permitir que você faça isso com ele.

— Eu pensei que você tinha colocado um pouco de juízo dentro dessa sua cabeça depois de tantos anos, esse moleque está te enganando e você mais uma vez está caindo na lábia dele como a idiota inocente que você é. Esquece que nós existimos, a partir de agora você é sozinha no mundo. — Disse aquelas palavras olhando-a nos olhos e só desviou o olhar para observar a mulher ao seu lado. — Vamos embora, Clarice.

— George... — Clarice disse sentindo o coração quebrado em pedacinhos, ela queria concertar as coisas, queria que eles fossem uma família novamente.

— Eu estou indo embora, se você for ficar, fique sozinha. — Falou caminhando para fora do apartamento. Clarice suspirou e encarou a filha, Demi a encarava com lágrimas nos olhos como se pedisse para ela ficar. Ela limpou a lágrima dos olhos da filha e se aproximou para abraçá-la. Demi passou os braços pela cintura da mãe e chorou como uma criança assustada.

— Eu prometo que vou voltar, filha. — Clarice beijou a testa de Demi e entregou as duas caixas com os presentes que ela havia comprado para a filha e suspirou. — Eu preciso ir, se cuida e dê um beijo na minha netinha por mim. — Disse e saiu atrás do marido. Demi adentrou no apartamento e limpou as lágrimas que desciam pelas bochechas.

— Sinto muito, Demi. Eu não deveria ter me intrometido no assunto de vocês. — Joseph disse arrependido porque se ele tivesse ficado calado e subido para o quarto com Alana essa confusão toda não teria acontecido. Demi colocou os presentes em cima da mesa e segurou a mão dele o puxando para a cozinha.

— Ele te machucou? — Perguntou verificando o maxilar de Joseph. Ele negou com a cabeça e fez uma careta quando Demi tocou levemente. — Vai ficar a marca. Eu vou pegar gelo para você colocar em cima. — Suspirou tristonha enquanto colocava o gelo no congelador da geladeira. Joe a puxou carinhosamente pela mão a abraçando de forma protetora.

— Ei, não precisa. Eu estou bem, linda. — Joe disse carinhosamente acariciando o cabelo dela. Demi suspirou e sentiu as lágrimas voltarem com força total, ela respirou fundo e limpou as lágrimas com as mãos, não queria chorar, mas era impossível conter a frustração que estava sentindo. — Você é uma mulher forte e independente, não precisa dele para nada.

— Ele é o meu pai. — Demi não precisou dizer mais nada. Ele era o pai dela e independente de qualquer coisa, Demi sempre iria ama-lo. Eles ficaram abraçados por longos minutos até Demi se acalmar mais. — Eu acho melhor você ir para casa, eu tenho um compromisso agora. — Disse se afastando. Ele queria ficar, mas percebeu que não tinha escolha. Ele subiu as escadas para conversar com a filha e acalmá-la, ele explicou o motivo da briga e garantiu que estava tudo bem. Se despediu de Demi com um abraço e um beijo na testa e foi embora logo em seguida.

— Kristen, aonde você está? — Perguntou assim que a melhor amiga atendeu o celular. Demi estava apoiada no balcão da cozinha e encarava um ponto qualquer.

— Eu estou aqui naquele pub em que vamos comemorar o aniversário do Ryan. Por que? Você já está indo jantar com Wilmer?

— Não, eu... eu posso te encontrar aí? Wilmer cancelou o jantar, ele está doente e não vai poder ir. — Mentiu porque não queria explicar tudo o que havia acontecido. — Sua mãe vai levar Alana para o cinema e eu não quero ficar sozinha.

— Eu estou te esperando, amiga. O Ryan quer muito que você venha e eu também, vamos comemorar como nos velhos tempos, quando éramos os três escoteiros. — Brincou animada. Demi sorriu e limpou a lágrima que escorreu pela bochecha, ela sentia falta do seu melhor amigo. Ryan era uma pessoa maravilhosa e com certeza estaria lhe dando os conselhos mais sábios que alguém poderia dar.

— Tudo bem, eu vou arrumar Alana e já chego aí.

— Quando chegar me manda mensagem, eu te amo, vadia. — Disse e desligou o telefone logo em seguida. Demi respirou fundo e subiu as escadas em direção ao quarto da filha enquanto pensava em uma desculpa para dizer a Wilmer que não iria comparecer ao jantar.


***


Kristen já estava esperando por Demi do lado de fora do pub. Ela sorriu quando a amiga desceu do uber e a cumprimentou com um abraço apertado porque elas haviam ficado o dia inteiro sem se ver. Ao sentir os braços da melhor amiga em volta do seu ombro, Demi sentiu vontade de chorar porque Kristen era a única pessoa que ela realmente poderia contar para qualquer coisa. — Amiga, você está linda. — Kris mirou Demi de cima a baixo e sorriu de maneira maliciosa. — Wilmer não sabe a mulher magnifica que ele perdeu essa noite. — O jantar romântico com Wilmer havia sido cancelado por uma mensagem de texto, cruel, mas o melhor que ela poderia fazer naquele momento. A cabeça e o coração estavam uma confusão. — Vamos entrar, só falta você. — Disse puxando Demi pela mão para adentrar no bar, estava lotado e a música latina tomava conta do local. Elas caminharam de mãos dadas até a mesa em que os amigos estavam reunidos. Seu olhar cruzou com o de Ryan e ela sorriu timidamente. 

— Eu jamais te perdoaria se você não viesse. — Ryan disse levantando-se para abraçar a melhor amiga. Demi abriu um enorme sorriso e passou os braços em volta da cintura dele e fechou os olhos quando sentiu os lábios de Ryan tocarem sua testa carinhosamente. 

— Eu senti muito a sua falta, não se afaste de mim novamente. — Pediu gostando da sensação de estar nos braços do melhor amigo, Ryan era como seu irmão que ela nunca teve, ele sempre protegia ela e Alana e ficar longe dele era terrível, gostava de rir das coisas idiotas que ele fazia e de passar a tarde assistindo filmes e comendo besteira. — Feliz aniversário, eu espero que você alcance todos os seus objetivos e realize todos os seus sonhos, você é uma pessoa incrível e merece o melhor. Amo você, grandão. 

 — Obrigado, baixinha. — Sorriu feliz por ter a amiga novamente em sua vida. Demi cumprimentou alguns amigos de Ryan que estava ali e sentou ao lado do amigo. Ela agradeceu quando o garçom lhe entregou uma garrafa de cerveja e deu um longo gole. — Como a minha sobrinha está? — Ryan perguntou após dar um gole na cerveja. 

— Ela está ótima, cada dia mais traquina. — Respondeu observando o movimento do pub. Os seus olhos foram de encontro com um par de olhos verdes de um moreno que lhe encarava sem disfarçar, Demi umedeceu os lábios e desviou o olhar encarando a melhor amiga que não tirava os olhos do celular. — Aconteceu alguma coisa, Kris? 

— Stella já deveria ter chegado, eu mandei mensagem, mas ela não recebeu. — Mordeu o lábio inferior sem desviar o olhar do celular, ela suspirou bloqueou o aparelho enquanto levava a garrafa de cerveja até a boca. — Ela deve estar presa no trânsito. — Deu os ombros. — Como foi a sua tarde? Eu ia passar lá antes de sair, mas achei que você estaria com Joseph e eu não queria atrapalhar. — Sorriu maliciosa e Demi murmurou um palavrão antes de beber a cerveja gelada. 

— Foi normal. — Disse porque não entraria em detalhes ali, deixaria para conversar sobre aquilo com Kristen em um outro momento. — Joseph apareceu por lá para assistir filme com Alana e eu vim para cá, nada demais. — Ela encarou novamente o homem de olhos verdes e sentiu as bochechas corarem ao ver que ele ainda tinha os olhos sobre ela, não podia negar que ele era bonito. 

— Ele não para de te olhar. — Kristen comentou, mas acabou perdendo o foco quando avistou Stella caminhar em sua direção. Ela abriu um enorme sorriu e levantou para cumprimentar a namorada com um beijo. — Stella, essa é a Demi, a minha melhor amiga do mundo todo. — Disse apresentando-as. — E Demi essa é Stella, minha namorada. — Demi levantou e sorriu porque Kristen tinha um sorriso feliz nos lábios, ela cumprimentou a namorada da amiga com um beijo na bochecha e um abraço apertado. 

— É um prazer conhecê-la, Demi. Kristen fala muito sobre você e eu já sinto como se eu te conhecesse há anos. — Brincou fazendo Demi rir. A conversa na mesa estava animada, eles conversaram sobre os mais variados tipos de assunto enquanto bebiam, relembraram velhos momentos e cantaram algumas músicas conhecidas. Por mais que tentasse se mostrar animada, vez ou outra Demi se pegava pensando nos pais e no desastre de mais cedo. O que havia de tão errado com ela a ponto dos pais não a amarem? "Esse moleque está te enganando e você mais uma vez está caindo na lábia dele como a idiota inocente que você é". Ela era inocente? O pai tinha razão? Joseph realmente queria algo sério com ela ou queria apenas engana-la? Eram tantas perguntas sem respostas e uma confusão de sentimentos. 

— Ei, eu acho que já chega de bebida por hoje. — Kristen disse tomando o copo de vodka com limão das mãos de Demi que a olhou com o cenho franzido e uma cara nada boa. — Você está passando dos limites permitidos, você toma remédio para pressão e não pode exagerar. 

— Você não é minha mãe, Kristen. — Demi disse séria encarando Kristen. Ela já estava cansada de todos quererem mandar em sua vida, ditando o que ela deveria ou não fazer e o álcool que corria em suas veias não ajudava nada a situação. — Eu vou beber o quanto eu achar que devo beber e você não vai me impedir. Eu já estou cansada de vocês quererem mandar na minha vida. — Levantou irritada e caminhou em direção ao bar, não sabia que a bebida já estava fazendo efeito até sentir que tudo estava girando em sua volta. — Por favor, uma tequila. — Pediu se apoiando no balcão. 

— Não consigo parar de te olhar desde que coloquei os olhos em você essa noite. — O dono do lindo par de olhos verdes disse alto ao lado de Demi para que ela pudesse ouvir. Demi virou o rosto e não conseguiu evitar o sorriso que nasceu em seus lábios. — Sou Jesse Williams. — Ofereceu a mão e Demi apertou no mesmo instante. 

— Sou Demi. — Se apresentou e agradeceu quando o barman colocou sua bebida em cima do balcão. Ela bebeu a tequila e colocou o copo sobre o balcão já com metade da bebida. — Então Jesse... você é daqui de LA? — Perguntou sentando-se no banquinho porque acabaria caindo no chão porque tudo em sua volta girava, não deveria ter bebido com o estômago vazio.

— Sou de Nova York, estou há uma semana em Los Angeles para um congresso de medicina, hoje eu tive um dia de descanso e resolvi conhecer a cidade. — Ele bebeu o resto da sua bebida e a encarou de cima a baixo demorando o olhar em cada pedacinho do corpo dela. 

— E o que está achando? — Perguntou se referindo a cidade. Mas Jesse estava mais focado em admirar o corpo da morena e por isso demorou para respondê-la. 

— Por enquanto eu estou adorando cada detalhe. 

Blake era uma mulher bonita e divertida. Ela tinha muitas qualidades e os amigos dela eram pessoas incríveis e legais, o clima entre eles estava bom, mas Joseph não conseguia se concentrar no momento porque estava pensando em Demi. Ele não deveria ter deixado ela sozinha. — Eu vou buscar mais uma cerveja, já volto. — Joe disse antes de se levantar e caminhar até o bar. Ele pediu por uma cerveja e quando olhou para o lado franziu o cenho ao ver Demi sorrindo para um homem que estava sentado ao seu lado. O que ela estava fazendo ali? Sentiu o ciúme tomar conta do coração ao ver a maneira em como os dois conversavam, ele cruzou os braços e pigarreou chamando a atenção dos dois.

— Joseph? — Ela estava surpresa porque ele era a última pessoa que ela imaginava encontrar naquele bar. 

— Demi, que surpresa agradável. — Joe sorriu e encarou o homem ao lado dela com uma sobrancelha arqueada. — Esse era o seu compromisso? — Demi franziu o cenho e bebeu o restante de tequila que havia em seu copo. Ela se levantou e pediu licença para Jesse enquanto caminhava para fora do pub com Joseph logo atrás dela.

— Joe, eu estou te procurando... — Demi parou e olhou para trás encarando a mulher loira e alta em sua frente. As duas se encararam por longo segundos até Blake sorrir de lado e desviar o olhar para Joseph. Ele estava tendo um encontro com Blake? Demi comprimiu os lábios em uma linha reta e continuou caminhando para fora do pub. 

— Eu não acredito que você está tendo um encontro com ela, você é um verdadeiro filho da puta. — Disse irritada assim que Joseph se aproximou dela. Eles estavam do lado de fora do pub em um lugar afastado, Demi estava encostada na parede e se abraçou assim que o vento gelado soprou. — Talvez eu devesse escutar o meu pai, você não vale a pena. 

— Então eu acho melhor você tomar uma decisão porque eu não aguento mais, porra. Eu não estou tendo porcaria de encontro nenhum com Blake ou qualquer outra mulher, você é a mulher que eu quero e eu já deixei isso bem claro para você, só que eu não posso te forçar a me querer também. Se você acha melhor seguirmos como os pais da Alana me avise porque eu não aguento mais beijar você durante a manhã e ver você saindo com outro cara durante a noite. — Ver Demi com Wilmer ou qualquer outro homem lhe deixava com ciúmes e machucava seu coração. Ele não queria apenas beija-la vez ou outra, ele queria um relacionamento sério, um futuro para eles. 

— Você não pode fazer isso comigo. Como eu vou me entregar para uma pessoa que me magoou tanto no passado? Se acontecer novamente eu não vou suportar e tem Alana também, eu não quero que ela sofra caso isso não der certo. — As lágrimas já desciam descontroladamente pelo rosto delicado e Demi apostava que a culpa era da bebida. — As coisas estão confusas, está tudo acontecendo muito rápido e eu não estou sabendo lidar com isso. 

— Shhh... — Joseph a puxou para os seus braços e a abraçou fortemente querendo protegê-la do mundo. Demi não merecia sofrer, ela merecia ser feliz e ele queria fazê-la feliz, só precisava de uma oportunidade. Deixou que ela chorasse liberando toda a frustração que estava sentindo, as lágrimas dela molhava a camisa preta dele, mas aquilo não importava. Demi precisava desabafar e Joseph estava ali para ela. 

— Eu estou cansada. Você pode me levar para casa e ficar comigo? Eu bebi mais do que deveria e não estou me sentindo muito bem, não quero ficar sozinha. — Pediu levantando a cabeça para olha-lo nos olhos, ela gostava como os olhos dele eram idênticos aos olhos de Alana, a cor dos olhos deles era simplesmente magnifica e ela adorava olhar para eles. 

— Claro, querida. Vamos, eu vou cuidar de você. — Joe beijou a testa dela carinhosamente e caminhou abraçado a ela até onde seu carro estava estacionado. Ele sentia que as coisas iriam começar a mudar para eles, Demi merecia ter alguém que a amasse ao lado dela e ele queria ser esse alguém. Queria dar o amor e carinho que ela tanto sentia falta. 

Assim que chegou em casa a primeira coisa que Demi fez foi sentar no sofá e retirar o salto, ela sentia seus pés latejarem e seu estômago revirar, nunca mais iria beber. Observou Joseph trancar a porta do apartamento com Alana adormecida em seus braços, eles haviam passado no apartamento de Kim para busca-la. — Eu vou coloca-la na cama. — Demi assentiu e subiu para o segundo andar com ele. Ascendeu a luz e arrumou a cama da filha para que Joseph pudesse coloca-la. 

— Eu vou tomar banho, já volto. — Disse baixinho e caminhou diretamente para o seu quarto. Como ela havia conseguido fechar o zíper daquele vestido? Se perguntava enquanto tentava a todo custo abrir o zíper das costas do vestido. Bufou irritada e chamou por Joseph. — Você pode me ajudar com o zíper? — Perguntou quando Joe adentrou no quarto. Ele assentiu e se aproximou dela, segurou a cintura dela e a virou delicadamente colocando os cabelos loiros de lado. Demi umedeceu os lábios e respirou fundo ao sentir a respiração dele em sua nuca. Joe desceu o zíper do vestido e mordeu o lábio inferior ao ver as costas nua da mulher que ele tanto amava, como ela era linda. — Obrigada. — Agradeceu e quando se virou sorriu de lado porque ela conseguia ver o desejo nos olhos dele. Ela o queria tanto quanto sentia que ele a queria, o desejo crescia em seu interior e tudo o que passava em sua cabeça eram as coisas mais loucas que queria fazer com ele e foi pensando nisso que Demi se aproximou e passou os braços em volta do pescoço dele juntando seus lábios. 

As mãos quentes dele tocando sua cintura com firmeza era o que ela precisava sentir enquanto a língua dele acariciava a sua na mesma intensidade. Demi segurou o rosto dele com as duas mãos e o puxou para cama e só parou quando sentiu as pernas baterem na cama. — Eu quero você Joseph. — Disse com os lábios ainda aos dele. Ela desceu as mãos até a barra da camisa dele e a puxou, tirando-a. Os olhos percorreram o abdome definido e ela não resistiu o desejo de tocá-lo ali. 

— Eu também quero você, Demi. — Joe confessou a tocando no bumbum. Ele a beijou no pescoço enquanto sentia as mãos delicadas passear pelo seu abdome e costas. Ele queria fazer amor com ela até deixa-la de pernas bambas, mas aquela noite nada iria acontecer. — Mas não hoje. — Demi franziu o cenho e ficou na ponta dos pés para alcançar os lábios dele e tentar convence-lo ao contrário. 

— Joseph, por favor. 

— Querida, eu quero transar com você, quero passar a noite toda te dando prazer. — O coração bateu mais forte no peito e Demi sentiu o íntimo se contrair ao ouvir aquelas palavras sussurradas em seu ouvido. — Mas você bebeu demais essa noite e eu não quero que amanhã você acorde e se arrependa do que aconteceu. — Demi fechou os olhos e respirou fundo ao sentir os lábios dele tocarem um pouco acima dos seus seios. — Quando eu transar com você, você vai ter a plena consciência do que estaremos fazendo e vai ser a sua primeira lembrança pela manhã quando você acordar nua ao meu lado.  — Demi gemeu baixinho só de imaginar como seria. — Vá tomar banho, linda. Eu vou descer e preparar uma aspirina com um copo d’água para ajudar na ressaca amanhã. — Ele saiu do quarto e a deixou sozinha. 

Demi respirou fundo, prendeu o cabelo em coque alto e adentrou no banheiro. Retirou o vestido, a calcinha e ligou o chuveiro. A água quente em contato com seu corpo serviu para ajudá-la a se acalmar. Céus, ela estava quase implorando por ele, o que estava acontecendo com ela? Nunca havia acontecido antes. 

Demi demorou o tempo que achou necessário no banheiro, o banho a ajudou a voltar com parte da sobriedade. Enrolou-se em uma toalha e caminhou diretamente para o closet, vestiu um conjunto de moletom confortável e sentou-se na cama, Joe adentrou no quarto com um copo d’água e um comprimido nas mãos. — Sinto muito pela demora, estava conversando com Kristen. Ela está preocupada com você. 

— Amanhã eu converso com ela, tudo o que eu mais preciso agora é da minha cama. — Disse Demi após tomar o comprimido com a água. Ela colocou o copo em cima do criado mudo ao lado da cama e passou a mão direta no cabelo soltando o coque. 

— Se você quiser eu vou para casa e amanhã de manhã passo por aqui para saber como você está. — Falou enquanto observava Demi arrumar a cama, ela puxou o edredom branco e o olhou com ternura. 

— Fica aqui comigo. — Pediu se sentindo carente, ela sentia falta de acordar com um homem ao seu lado na cama, de sentir braços fortes lhe abraçando e lhe protegendo, se aqueles braços fossem de Joseph seria melhor ainda. Ela sorriu quando Joe deitou ao lado dela e a puxou para que ela deitasse em seu peito e passou os braços ao seu redor. Demi se aconchegou nos braços de Joseph e suspirou se sentindo incrivelmente bem. — Eu não tenho dúvida, é com você que eu quero ficar, Joseph. — Demi disse antes de adormecer e deixar o coração de Joseph acelerado de amor, alegria e alívio. 

--

eeei meus amores, como vocês estão? a gripe me pegou mas eu estou bem. sinto muito pela demora, mas aconteceram algumas coisas e eu tive me dedicar completamente a faculdade para não pegar uma dp e me ferrar, graças a deus deu tudo certo e eu estou de férias, só estou indo para o estágio mas é bem de boa e não cansa nada, agora eu tenho tempo para me dedicar ao blog. enfim, espero que vocês gostem do capítulo, eu escrevi na correria do dia a dia então não sei o que dizer. 
respostas dos comentários aqui | volto em breve, bjs.